A história sesquicentenária de O Estado de S. Paulo se confunde, como é sobejamente sabido, com a história do movimento abolicionista, que culminou no fim da escravidão no País, e com a ascensão da República. Por si só, isso diz muito sobre os princípios que norteiam este jornal até hoje e, sobretudo, sobre os compromissos que o Estadão assumiu perante a sociedade – paulista e brasileira – como um veículo jornalístico profissional e independente. Mas não diz tudo.

Desde a sua edição inaugural, publicada em 4 de janeiro de 1875, então como A Província de São Paulo, este jornal jamais se limitou a apenas registrar em suas páginas as profundas transformações por que tem passado a cidade de São Paulo. Em não poucas vezes no curso dessa longeva trajetória, o Estadão foi um dos indutores das mudanças significativas que fizeram desta cidade a metrópole que ela é hoje. Em dados momentos particulares, o jornal foi o grande dínamo da transformação.

À guisa de exemplo, voltemos a 1934, quando o Estadão deu à cidade e ao País a sua melhor universidade, a Universidade de São Paulo (USP), já há algum tempo entre as cem melhores universidades do mundo. “Vencidos pelas armas, sabíamos perfeitamente que só pela ciência e pela perseverança no esforço voltaríamos a exercer a hegemonia de que durante longas décadas desfrutáramos no seio da Federação”, dissera Júlio de Mesquita Filho, um dos fundadores da USP.

A ligação do jornal com as transformações da cidade não parou por aí, evidentemente. O compromisso com a defesa da preservação ambiental e com a despoluição dos rios que cortam a capital paulista, particularmente os Rios Tietê e Pinheiros, reflete de forma cristalina o propósito do Estadão de tornar São Paulo uma metrópole cada vez mais viva, literalmente, para todos os seus habitantes. Subjaz nessa iniciativa histórica um princípio basilar defendido com fervor por este jornal, segundo o qual a todos os brasileiros deve ser dado acesso ao mínimo para uma vida digna, como saneamento básico, para começar.

Estadão não se vê apenas como um espelho da cidade que o acolhe desde o final do século 19, mas um dos protagonistas, nos limites de sua função jornalística, do desenvolvimento de São Paulo e, por extensão, do Brasil. Cada reportagem publicada por este jornal, cada editorial apontando os erros e os acertos dos incumbidos de exercer o múnus público não tem se prestado a outra coisa nesses 150 anos senão a fomentar o progresso social e econômico do País. A metamorfose da capital paulista – de uma cidade provinciana, em 1875, para uma das cinco maiores cidades do mundo, em 2024 – é só a face visível desse comprometimento.

Hoje, como sempre, este jornal permanece empenhado em defender uma cidade mais justa e inclusiva para todos os cerca de 20 milhões de habitantes de sua região metropolitana. Isso significa, na prática, apontar as tentativas de contaminação do debate em torno de políticas urbanas por interesses partidários e vieses ideológicos. Significa cobrar da Prefeitura e da Câmara Municipal a elaboração de um Plano Diretor que, de fato, mostre-se apto a “reduzir as desigualdades socioterritoriais” entre os paulistanos a fim de que todos tenham acesso aos equipamentos sociais que uma cidade como esta pode oferecer, a bens culturais, à infraestrutura de transporte e moradia e a serviços públicos de qualidade, sobretudo nas áreas de saúde e educação básica. E sem que para isso tenham de revolucionar suas rotinas somente em função do CEP de suas residências.

Estadão está comprometido em ajudar São Paulo a se tornar uma cidade melhor para se viver, uma cidade na qual a expectativa de vida não dependa do distrito em que se vive. É inaceitável que, a despeito da pujança econômica da capital paulista, quem mora em Alto de Pinheiros tenha uma idade média ao morrer de 82 anos, enquanto em Anhanguera essa média seja de 58 anos. Ou seja, uma distância de cerca de 26 quilômetros pode representar menos 24 anos de vida para um cidadão. Por mais rica que seja, qualquer cidade seguirá pobre enquanto não der cabo dessa indecência.

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