Fundado a partir do “concurso de capitais fornecidos por agricultores, comerciantes, homens de letras e capitalistas”, O Estado de S. Paulo, já em sua edição inaugural, publicada em 4 de janeiro de 1875, quando ainda se chamava A Província de São Paulo, posicionou-se inequivocamente como um veículo jornalístico determinado a auxiliar, “na medida progressiva de suas forças”, o desenvolvimento do comércio, da agricultura e da indústria em São Paulo e no Brasil.

Esse compromisso na esfera econômica, como os outros assumidos naquela opinião exordial nos campos da política e da cultura, segue inabalável 150 anos depois. E não por teimosia ou capricho deste jornal, mas sim por ter passado com louvor no teste do tempo. Nossa história republicana, como os fatos evidenciam aos olhos não obnubilados pelas paixões ideológicas, não registra progresso social e econômico pujante e duradouro, tanto do País como de seus cidadãos, fora da experiência liberal democrática.

Ao longo de todo esse período, não foram poucas as apostas em modelos heterodoxos de crescimento econômico que jamais se provaram sustentáveis. Os eventuais ganhos imediatos que essas aventuras produziram – os tais “voos de galinha” – custaram caríssimo ao Brasil e aos brasileiros. Para ficarmos apenas no desastre mais recente, por mera questão de espaço, aí está, até hoje, o rescaldo da incúria materializada na dita “Nova Matriz Econômica”, marcadamente intervencionista e voluntarista, além de eleitoreira, como atestado do erro que é a vinculação entre gasto irresponsável e crescimento.

Se o transcurso do tempo e o sofrimento causado por essa e outras malogradas experiências não educaram os governantes, como parece ser o caso do presidente Lula da Silva, useiro e vezeiro em repetir erros do passado esperando resultados distintos, este jornal se vê, mais uma vez, compelido a reafirmar sua defesa da agenda liberal, que nada mais significa, grosso modo, do que respeito à aritmética. Não gastar além do que se tem, investir no que é prioritário à luz do melhor interesse público em meio à escassez de recursos e, não menos importante, combater as desigualdades obscenas que, a despeito dos ciclos de desenvolvimento havidos pelo País, ainda dividem os brasileiros em cidadãos de primeira e de segunda classes.

Manter-se fiel aos seus princípios fundadores, contudo, não significa, em absoluto, ignorar as frenéticas transformações econômicas em andamento no Brasil, mas não só, em especial no mercado de trabalho e na indústria. É, antes, chamar a atenção do governo e da sociedade para as lições deixadas por políticas bem-sucedidas implementadas no passado e o grau de contribuição dessas políticas para a superação dos desafios presentes.

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